
Minhas noitadas no carrinho de cachorro quente, que ficava do outro lado da rua, em frente ao Madame Satã, hoje me parece tão cheio de charme, ousadia, transgressão, liberdade e tudo o mais que uma alma feminina, moderna e transgressora gostaria de ter.
Mas na época eu não achava estas noites tão mágicas assim, lembro-me de uma noite típica em que bebi muito (como quase todos os sábados em que eu ia ao Madame, já que o Open Bar causava isso) sai de lá por que só tinha pivete chato e as figuras estranhas tão comuns nesse lugar e fui comer um singelo cachorro quente, com os pés quebradiços, o sono derrubando os olhos e ouvindo lamentações emocionais de todas as minhas amigas, e elas não tinham culpa, escutavam as minhas também.
E as noitadas não se resumiam apenas ao Madame Satã, qualquer lugar que tocava rock e diziam que era legal, lá estávamos as mosqueteiras, ou as “Vale Nada” como nos chamávamos, era divertido, mas não tão glamuroso... E todas as aventuras de vinte e poucos anos, vivemos juntas, não é adolescência, e não é ser velho, era ser adulta, alegre, com sonhos e problemas, mas tínhamos umas as outras e isso dava segurança pra seguir. Não vivíamos de balada, mas bebíamos a alegria de viver de cada uma que nos fazia produzir mais alegria ainda para a outra beber.
Riamos de tudo, dos problemas, dos furos, das gafes, das fofocas e principalmente de nós mesmas, que tínhamos talento para os “curva de rio” que apareciam. Se apaixonar? Às vezes... Mas no final se alguém machucava uma de nós, todas ganhavam uma briga de presente para enfrentar.
Pronto. Uma lágrima já borrou o rímel! Antes de ir, vou pegar meu lencinho branco acenar para a alegria do que aconteceu, mas com a tristeza de saber que não existe mais, homenageando cada “Vale nada” que esteve e sempre estará na minha vida, na minha alma e no meu coração... (musica do Titanic Please!).
Um beijo Queridas amigas, aguardo vocês no asilo, para relembrarmos nossas peripécias e fugirmos pro “Rock” sempre que os enfermeiros derem bobeira.